Espelhos não mentem, mas podem enganar.

Arquipélago sem nome

In Crônicas, Poemas on 2 de agosto de 2015 at 18:26

Aquele que disse que nenhum homem é uma ilha nunca esteve em uma.

Nunca sentiu que não havia nada além de imensidão ao seu redor. Mar e céu.

Sempre avistou terra e a teve embaixo de seus pés.

Aquele que disse que nenhum homem é uma ilha nunca esteve sozinho sem ter para onde ir.

Nunca gritou para a infelicidade do seu próprio eco ou contemplou a monotonia da sua própria sombra sob o sol e todas as suas horas do dia.

Quem disse isso nunca contou estrelas, nunca andou em círculos ou falou sozinho.

Se nenhum homem é uma ilha, como pode haver quem faça de si um microcosmos. A criação, elevação e carícia de seu próprio ego.

Como pode haver quem nade e morra na praia ou surfe entre tubarões.

Como pode haver gente que mais pareça tubarão?

Se nenhum homem é uma ilha, por que há quem seja continente? Contingente… soldado.

Por que há quem seja árido, quem seja pálido, vulcânico ou nebuloso?

Aquele que disse que nenhum homem é uma ilha, nunca odiou férias ou desdenhou a umidade. Nunca nadou contra a maré.

Pois sim. Sob iminência de um tsunami eu digo: sou hoje uma ilha. Colonizada por todos e cercada por nada. Um pedaço de terra no meio do mar.

6 de março de 2015.

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