Espelhos não mentem, mas podem enganar.

Archive for the ‘Poemas’ Category

CXIV

In Poemas on 4 de agosto de 2016 at 22:54

I sing to use the waiting,

my bonnet but to tie,

and shut the door unto my house;

No more to do have I.

 

Till, his best step approaching,

we journey to the day,

and tell each other how we sang;

To keep the dark away.

 

(Emily Dickinson)

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Giovani Kososki

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Eu canso

In Crônicas, Poemas on 29 de agosto de 2015 at 01:10

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Eu me canso. Muito e de muita coisa.

Aos 20 e alguns anos estou cansada. Aos 17 já estava.

Se aos 7 não estava, não sei, não estou lembrada.

Me canso de correr. De me refazer.

De me despedaçar e recompor.

De me expôr.

Eu me canso de apagar incêndios que não foram causados por mim.

Ardente, inconsequente, mas água com aroma de jasmim.

Canso de ser a chata. De pedir, de desculpar.

De esperar.

Tem dias que eu canso, inclusive, de escrever.

Não tenho nada a dizer.

Eu me canso.

E às vezes não sei nem o que é cansaço.

Não quero crer que seja a causa de tanto estardalhaço.

Eu canso de fazer merdas.

De ver as pessoas fazendo merdas, atrás de merdas.

E não poder fazer merda nenhuma.

Eu me canso.

Canso os outros também. Sou consciente disso.

Por não reconhecer o cansaço.

Sou uma longa trilogia sobre coisas feitas de aço.

Canso de ouvir calada. Acredite ou não.

Às vezes eu abro mão da razão.

Por paixão.

Eu não frequento templos. Meus confessionários são as caixas cheias de cadernos que guardo desde o início da minha humanidade.

Me perdoe, pois eu pequei.

Pequei em acreditar que as pessoas têm realmente o valor que dou para elas.

Em confiar que todo o esforço será recompensado.

Em pensar que muitos acertos não serão facilmente esquecidos pelo avassalador poder do erro.

Me perdoe, pois não sou nenhuma divindade. Há dias que não possuo sequer sanidade.

E eu me canso. Até de me cansar.

Das dedicatórias escritas à lápis

In Crônicas, Poemas on 3 de agosto de 2015 at 17:49

“Se precisar, você apaga”.

Com letra desenhada. Ensaiada.

Eu não corrijo presentes. Presente é momento e deve ser guardado como tal. Eu tampouco apago o passado.

Assim como as letras impressas em qualquer livro, as palavras ditas não são “desditas”. O tempo e toda a sua influência alteram os sentimentos, as pessoas, os lugares, mas, nunca as memórias.

Não espere que eu apague sua presença. Da mesma forma que não posso apagar sua, tão frequente, ausência.

Não espere que eu apague o seu presente. Passado. Algum futuro?

De mim não espere nada. Afinal, eu sim sou escrita à lápis. “Se precisar, você apaga”. Como algumas outras já devem ter sido.

Imagine que sua vida é uma folha de papel. Pode ser um velho caderno, um diário, agenda… qualquer folha em branco… não importa, realmente. Tudo que for escrito nela será uma eterna marca em sua textura, seja qual for a tinta ou grafite que você use e, eventualmente, apague. Por mais rápido e suave que tente deixar o traço de sua mensagem, ela estará para sempre lá. Algumas mais profundas e obscuras que outras.

Quando for escrever, ao menos para mim, escreva à tinta. Deixe manchas pelo mundo. Em mim, em você.

Suje as mãos.

Seja permanente e visível, mesmo que rasurável. Seja um presente “inapagável”.

Seja uma letra clara e verdadeira. Um fluxo de consciência. Preto no branco.

Um poema ou uma carta, tanto faz. Algo sem sentido ou sagaz.

Seja tudo!

Ou nada mais.

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Arquipélago sem nome

In Crônicas, Poemas on 2 de agosto de 2015 at 18:26

Aquele que disse que nenhum homem é uma ilha nunca esteve em uma.

Nunca sentiu que não havia nada além de imensidão ao seu redor. Mar e céu.

Sempre avistou terra e a teve embaixo de seus pés.

Aquele que disse que nenhum homem é uma ilha nunca esteve sozinho sem ter para onde ir.

Nunca gritou para a infelicidade do seu próprio eco ou contemplou a monotonia da sua própria sombra sob o sol e todas as suas horas do dia.

Quem disse isso nunca contou estrelas, nunca andou em círculos ou falou sozinho.

Se nenhum homem é uma ilha, como pode haver quem faça de si um microcosmos. A criação, elevação e carícia de seu próprio ego.

Como pode haver quem nade e morra na praia ou surfe entre tubarões.

Como pode haver gente que mais pareça tubarão?

Se nenhum homem é uma ilha, por que há quem seja continente? Contingente… soldado.

Por que há quem seja árido, quem seja pálido, vulcânico ou nebuloso?

Aquele que disse que nenhum homem é uma ilha, nunca odiou férias ou desdenhou a umidade. Nunca nadou contra a maré.

Pois sim. Sob iminência de um tsunami eu digo: sou hoje uma ilha. Colonizada por todos e cercada por nada. Um pedaço de terra no meio do mar.

6 de março de 2015.

Morri de viver

In Poemas on 19 de dezembro de 2014 at 17:44

Neste semestre eu morri!
Morri de cansaço e de incomodação. De tédio. De emoção.
Morri de excesso, o lascivo excesso do querer ter tudo e do não saber dizer não para o nada.
Morri de tanto correr, e por vezes de não ter nada o que fazer.
Em alguns momentos morri por dentro, em silêncio. Profundo silêncio de não poder dizer o que estava me matando.
Morri de amor. De torpor.
Morri de vontade.
Em outros momentos morri por fora, em busca de invisibilidade ou de insensibilidade.
Morri de rir. De chorar, de tanto rir.
Morri por cada vez que não pude ir.
Morri de saudade. De intangibilidade.
Por horas morri em sonho, em pensamento. Em tentar solucionar o insolúvel. Ou re-fazer o desfeito.
Morri em deleito.
Morri por estar prestes a morrer. De qualquer coisa. De tudo. De todos.
Enfim, nesse semestre, eu morri.
Com a viva, mas inútil, certeza de que também matei. De muitas coisas que me mataram…

*Contigo

In Aleatórios, Poemas on 8 de maio de 2013 at 19:24

Mandei uma carta para um ser que nunca foi.

Escrevi para falar o que jamais diria, soubesse eu que esse alguém existia.

Comecei com um desabafo, uma súplica, um relato. Um breve fato. Que nunca, nunca chegou ao ato.

Estendi entre as linhas a mão, o ombro, o coração. Me pus inteira num varal. Inútil demonstração.

De volta ao meu casulo sobre a ponte: será que pulo? Se meu amor, lindo como as borboletas, morreu obscuro.

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* Título: colaboração de Julio César Insaurriaga

Assim sucumbe a humanidade

In Aleatórios, Crônicas, Poemas on 12 de janeiro de 2013 at 17:15

De fato, não há nada como os humanos.

Nós temos amigos que viram bichos e bichos que são eternamente amigos.

Se quer ir quando se está voltando e quando vemos já estamos vindo, para onde quer que seja…

Temos muito mais do que precisamos e queremos sempre além do que temos.

Por vezes a casa enche com uma pessoa apenas, por outras estamos sozinhos na multidão.

Queremos sempre o benefício, sem o sacrifício. Queremos que mude, sem mudar.

Desejamos amor, sem amar ao próximo. Temos indignação sem ação e muita ação sem direção.

Temos medo! Muito medo. Temos mente. Você mente, eu minto, todos nós mentimos.

Vivemos conscientes de cada passo, cada escolha, mesmo sem saber para onde vamos nem onde queremos chegar.

Somos diferentes.

Gritamos, falamos, rimos, lemos e escrevemos. Para nós ou para os outros.

Reclamamos.

Comemos sem ter fome, pecamos sem ter fé.

Somos os únicos animais capazes de ser hipócritas, de ter preconceitos, de achar que não somos perfeitos.

Realmente, não há nada como os humanos.

12.01.13

Cada um é um

In Aleatórios, Crônicas, Poemas on 20 de novembro de 2012 at 23:49

Ponto de vista.
Cada um vê o mundo como bem entende, como a vida lhe mostra, como a sua historia lhe conta.
O ver para crer e a fé no próximo foram substituídos pela construção do imaginário. Felizes daqueles que, ao menos, são criativos na invenção da sua própria visão.

Caráter.
Cada um aceita o que lhe convém. E só é contra quando mal não lhe faz também. Julgar pelo que se diz ser e não pelo que se é, como se a própria existência fosse inerte e imutável, é simples, desconsiderando o íntimo de cada um.

Indivíduo.
Cada um é um. Com suas incapacidades e incompetências. Indivíduo é aquele que sabe aceitar o próximo, suas decisões, escolhas e princípios. Aquele que sabe, individualmente, viver em grupo.

Pensamento.
Cada um é uma citação de si. Um poeta dissertando seu próprio parecer. Ora lhes agrada os outros, ora lhes agrada nada. O pensamento de muitos é a constante insatisfação e a variante inveja do outro, do outro, do outro.
Pensamento. Uns não tem. Pensam pelo poema dos outros…

Teus olhos, eu e mais ninguém

In Aleatórios, Crônicas, Poemas on 27 de agosto de 2012 at 01:57

Ninguém me olha nos olhos como tu.

Ninguém me olha como se pelos olhos ouvisse minha voz ou afagasse minha alma. Como se por eles quase falasse, quase tocasse, quase chamasse.

Como em uma brincadeira infante competimos qual mais longo olhar nos lançamos. Se eu não desvio, não desvias, e assim vamos levando. Ninguém, como tu, é indiferente a eternidade que parece este olhar tão penetrante.

Quantos me viraram o rosto com o incômodo do meu encarar, que, como o teu, não faz cerimônia e entra sem bater. Quem nunca se distraiu, fugiu, em um fechar de pálpebras para esconder o que nem os olhos podem conter.

Ninguém me olha como se mais nada existisse, ou como se mais ninguém visse que me olhas como mais ninguém.

E o porquê de desta forma me olhares eu ao certo não sei. Desconheço tuas razões e nunca as questionei. Agradeço e me contento em ver que ninguém me olha com tanto querer. E quando me olhas, sem ninguém mais saber, o que vejo em teus olhos é o reflexo do meu ser e a razão do meu viver.

Viaje!

In Aleatórios, Crônicas, Poemas, Viagens on 24 de julho de 2012 at 17:38

 Para ouvir enquanto lê: Soneto do teu corpo – Leoni

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Eu e essa minha incontrolável vontade de viver na estrada. De ver o novo, de rever o velho. De estar sempre a caminho e de ter alguém para quem dizer: já estou quase voltando…

Meu insaciável desejo de conhecer, de ver, de sentir. Seja decepção ou maravilha, um novo destino é sempre uma aventura. Uma nova possibilidade, uma nova página do mundo a ser lida.

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Meu anseio por fazer as malas, pensando no que trarei de volta e não no que levarei comigo. Por fechar a porta às minhas costas. Por respirar novos ares.

Minha invariável tentativa em fugir do tédio, dos chatos, dos mesmos. Mas não me interpretem mal…alguns deles eu traria comigo, mesmo que na memória, na pele ou no coração.

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Meu sinônimo para impaciência e para liberdade. Uma viagem, meu amor, é mais do que turismo. É uma incansável busca por si e pelo pedaço que nos falta. Mesmo que saibamos que este pedaço está logo ali, conosco em nosso local de partida.

Por estes inúmeros e irrefreáveis predicados eu suplico: Viaje! E se não pretender me levar consigo, me deixe ao menos viajar sozinha, com a certeza de que estarei sempre de volta…

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